Algum tempo entre agosto e setembro de 2009
Introdução
Existem pessoas que olham para as estrelas tentando desvendar o futuro que nos será imposto por nossas escolhas, porém existe um pequeno numero de pessoas capaz de não só ler o que esta escrito nas estrelas, mas também de escrever ao seu bel prazer o destino que escolherem para quem quer que seja. todas as bondades e maldades do mundo são obra dessas pessoas, pois são elas as destinadas a decidir o destino de toda a humanidade.
Algum tempo entre setembro e outubro de 2009
1. Capitulo: Curiosidade
Começando do principio, assim como David Coperfield ao contar sua história, devo eu explicar é claro o que é um paranormal. Eu poderia citar grandes nomes do meio holístico ou místico, grandes obras cheias de significados e teses, mas seria perda de tempo, pois a meu ver nada é mais valioso que a experiência própria. Os grandes sábios tinham visões e eram capazes de modificar a matéria de qualquer forma que quisessem, mas os pastores cuidando de suas ovelhas, as senhoras benzedeiras, os aborígenes de varias partes do mundo também conseguiam realizar proezas magníficas de todas as formas. Por quê? A resposta é simples: A carga sanguínea transmitida de pai para filho, de mãe para filha de avô para neto e por ai vai. Essa carga pode adormecer gerações e então quando muito esquecida despertar renovando o ciclo natural que rege toda a existência e que tem um único motivo: A humanidade precisa de pilares para continuar a existir, sem isso teríamos o mesmo fim dos atlantes, dos dinossauros e muitas outras raças míticas ou históricas que povoam nossa memória e imaginação.
O paranormal pode ver, sentir, tocar e manipular o mundo invisível que nos rodeia, diferente dos sensitivos que apenas podem sentir e ou ver uma pequena parte do que esta a sua volta. Qualquer paranormal é também um sensitivo, mas são raríssimos os sensitivos que se tornam paranormais. Na maioria das vezes um paranormal já nasce sabendo que é diferente, fazendo coisas estranhas e assustando todo mundo. São poucos os que despertam depois de adultos.
Vocês devem estar se perguntando: E o Kiko? Quanta encheção de lingüiça. Bem então vamos a minha história que é, é claro, a melhor parte.
Eu tenho um meio irmão por parte de mãe o qual é mais velho e com quem eu fui criado. O interessante é que ele quando pequeno via fantasmas, tinha amigos imaginários e magnetismo fora do comum, em qualquer lugar que chegávamos que tinha alguém relacionado a misticismo ele era visto com cobiça, eles o desejavam. Eu era apenas um garoto quieto, calado que apenas gostava de observar tudo ao meu redor, não que eu fosse quieto mesmo, eu era muito confuso com tudo. E as mesmas entidades ou pessoas que desejavam meu meio irmão sempre mantinham distancia de mim ou me ignoravam. O caso é que eu vivia em um mundo onde tudo era maleável, pessoas desapareciam e reapareciam, algumas tinham cabeças de animais e outras cozinhavam lagartos e caçavam criancinhas. Eu não sabia dizer o que era real e o que era mentira por isso era tudo muito natural pra mim. Eu acordava um dia e o mundo tinha mudado, o céu tinha outra cor, os bichos tinham nomes diferentes, um dia eu acordei em um mundo onde a direita era esquerda e a esquerda era direita, eu via centenas de coisas que os outros não viam mas pra mim era apenas mais um dia. Eu posso dizer com toda segurança do mundo que papai Noel existe e que sua roupa é verde, como não existem renas no Brasil ele dirige uma carruagem puxada por vários cavalos e que não trás presentes pra ninguém, somente paz, prosperidade e coisas assim.
Ah ficaram curiosos né? Hum vejamos, já vi discos voadores, moscas do tamanho de um punho adulto e uma vez presenciei uma cirurgia mística onde devido a minha curiosidade incessante eu fui chamado para ver bem de perto, enquanto meu meio irmão era operado eu via sair de um algodão enormes quantidades de camadas de carne engorduradas e ensangüentadas que de acordo com a entidade matariam meu irmão aos quinze anos. A entidade em questão se deleitava em me provar avidamente que aquilo não era trapaça, não tinha como, afinal seu cavalo (como as entidades se referem a quem elas possuem), não sabia fazer nada alem de beber e se meter em confusões, jamais faria um truque com tamanha perfeição, só restando a opção de que não havia truque e bem, meu irmão não morreu aos quinze anos. O que já é uma coisa boa. Eu tinha então oito anos de idade. Com dez, meu sonho já era ser um paranormal, sem saber de minha herança, inocência pura. Dos dez até os quatorze anos meu esporte favorito era ir com minha mãe a centros de umbanda e desvendar quem estava realmente possuído e quem estava fingindo descaradamente. Nesta idade eu já conseguia ver o interior das pessoas e suas índoles e pensamentos superficiais. Com quatorze depois de ver uma revoada de moscas gigantes que ninguém mais viu, mas que durou uns vinte segundos e fez tremer e escurecer o céu do bairro, onde eu moro até hoje, e depois de presenciar uma aparição sombria em um terreno baldio eu decidi que tinha que pesquisar sobre o assunto, me aperfeiçoar.
Claro que o fato de um conhecido meu começar a praticar magia negra teve uma certa influencia sobre as minhas decisões, um pingo de inveja, uma pitada de medo e uma boa dose de curiosidade me levaram avidamente a “Livraria do Olho”, como seria chamada por mim e alguns companheiros de estudos e amigos. Depois disso, tudo que eu havia vivido começou a se parecer com um sonho do qual eu finalmente havia acordado. Foi quando a minha história realmente começou.
Algum tempo entre outubro e novembro de 2009
Diário Arcano - Capitulo 2 - Cescimento
O primeiro livro que eu li de magia foi escrito para um jogo, mas uma frase ficou na minha mente e me acompanha até hoje: “ Para entender a magia você deve esquecer tudo que aprendeu até hoje e reaprender tudo novamente do ponto de vista magicko.” Eu pensei durante meses sobre o que seria o ponto de vista magicko, li Aleyster Crowley, Elifas Levi, Papus e Francis Barret, mas foi em Franz Bardon que eu entendi o que seria reaprender tudo magicamente. Claro não sigo um estilo já determinado mas me ajudou a abrir os olhos. Meu ponto de vista se resume depois de ler os maiores autores que sobreviveram ao tempo foi que tudo é energia e essa energia é controlada pela nossa força de vontade, nós moldamos nosso mundo por nossas limitações. Quanto menos limitações, mais possibilidades. Comecei a influenciar todos ao meu redor que viram minha evolução, nessa época eu divertia muita gente e fascinava muitas pessoas, brincava com suas mentes e seus destinos, criando efeitos de amor e outros de desejo, sorte ou azar. Minha influencia foi tão grande que virei referencia em misticismo e todos os dias me procuravam para algo diferente. Mas essa parte é a menos importante. Nesses tempos eu procurei entrar em contato com os elementais da terra, do fogo,do ar e da água. Comecei a perceber que existiam pequenas entidades que moravam na minha casa. comecei a ver os espíritos errantes que vagavam por toda parte. Alguns paravam e nós conversávamos por horas. Descobri por acaso uma técnica de cura. Uma filhote de uma gata da minha casa nasceu com o corpo todo torto e deformado, eu não pude deixar de tentar. Concentrei minha energia e senti ela entrar pelo corpo do animalzinho nas minhas mãos, busquei seu espírito e vi que ele estava desregulado do corpo, então eu literalmente remodelei a gatinha pondo os ossos no lugar, puxando aqui e ali até que abri os olhos e ela estava completamente diferente
Coloquei ela no ninho com os outros filhotes e no outro dia ela estava perfeita. Depois disso todos os outros filhotes morreram menos a que eu havia curado. Segunda coisa que eu aprendi com a magia: tudo que você faz tem um preço. Se você concertar algo, algo será quebrado, se proteger algo, algo ficará desprotegido, se você curar alguém, alguém ficará sujeito a doenças e acidentes. Por que ao direcionar a energia de um lugar, ela é retirada de outro. Troca equivalente. Claro que quanto mais forte se fica, mais se aprende a direcionar as energias de forma certa anulando vários contra tempos. Nestes tempos atingi uma força espiritual tão grande que eu chamava os silfos e eles faziam soprar sobre as casas, eu dominava pessoas com o pensamento e as obrigava a tomar decisões ao meu favor. Fascinei dezenas de garotas embora sempre parasse no meio do processo por não sentir nada por elas. Esse foi o inicio do meu declínio mágico. Entrei em contato com divindades e acabei chamando atenção lá em cima. Eles me viram entrando em esferas que não estava preparado para ver. E eu fui lançado a um período de sofrimento intenso.
25 de setembro de 2010
Eu não sei ao certo a data, mas sei que era quente, pois os dias não tinham nuvens e eu costumava passar as tardes deitado no gramado do parque da cidade. Eu e uma quantidade de amigos que me fazia levantar as mãos aos céus e agradecer por não estar sozinho. Amigos com problemas que me distraiam dos meus próprios problemas. Mas distrair não significa eliminar por isso uma noite sedento por uma cura para meus males da adolescência busquei no suicídio a resposta. Depois de observar o mundo a minha volta percebi que não tinha nenhum objetivo, nada que me impulsionasse, nenhuma meta estabelecida, nenhuma direção para seguir. Só tinha meus desejos insatisfeitos, minhas emoções fragilizadas, meus impulsos fisiológicos e minhas crenças estáticas. Assim desenvolvi uma técnica própria para partir deste mundo sem dor, sem sofrimento e sem motivo, afinal se eu não tinha motivo para viver não precisava de motivo para morrer. Realizei assim com medo e ao mesmo tempo sedento de saber o que havia a diante, esperando ver anjos, túneis escuros com luzes no fim, entes queridos já mortos ou mesmo seres maléficos que me levariam pro inferno cristão, mas para mim não havia nada lá. Apenas um abismo maior que o próprio universo, uma escuridão viva que me dava a sensação de ser observado. Eu sentia a presença da morte e como um pensamento que se confundia com o meu eu percebi que ainda não estava morto totalmente, percebi que poderia ainda escolher se voltava ou se partia. Então ao meu lado no limiar entre a vida e a morte surgiu um ser de forma insubstâncial e através dele eu vi meu passado, meu presente e meu futuro. E ao ver o que não devia fui lançado de volta ao meu corpo com a marca do abismo em minha alma e a certeza de que minha estrada seria longa. O adolescente melancólico morreu aquele dia e em seu lugar surgiu uma nova forma de existência. Existem muitas formas de se definir essa minha nova condição. Mas nenhuma definição é mais perfeita que a palavra “Desperto”.